Meu apelo, meu zelo, meu desmantelo, meu dia inteiro. Meu café, minha fé, meu Zé, meu ré. Meu fim, meu sim, meu rosto, meu gozo, meu desespero. Minha rima, meu imã, meu cinzeiro, minha palha, minha malha. Meu inferno astral, meu céu sem sal, meu disco riscado, meu grito sussurrado. Minha página em branco, meu rabisco franco, minha cerveja gelada, minha cachaça passada, minha alma esquecida, minha excitação por barba. Meu anjo caído, meu fantasma perdido, minha sombra guardada, meu tesão por escada. Meu humor desgastado, meu riso incontido, meu vício por infinitos. Minha vida te guarda em detalhes. 

 

Alguém diz pra ele que um sorriso dele, sozinho, teria dado toda a força que o Goku precisava pra genki dama, sem ao menos ele levantar os braços.

Saudade tem nome, endereço, barba, camisa de banda e sorriso frouxo. Saudade tem abraço largo, braço magro, tom irritante e quase nada de drama. Saudade tem olhos cheios, cara de sono, suavidade e um riso estranho. Saudade tem tatuagem, discos, livros e bobagens que me inspiram.

Meu caos então virou riso, vinte e nove minutos depois de encontrar a minha boa e velha bagunça, ainda em cima do sofá, de olhos cheios, uma barba imensa e colorida e com dentes que me mastigam em apenas um movimento de mandíbula. Na vitrola um disco do Smashing Pumpkins, e então eu cantarolo a nossa primeira música ‘We’re different tonight .Tonight, so bright, tonight’. Vejo você rindo do meu desajeito, do meu desafino, do mundo lá fora, enquanto a gente aqui dentro faz a promessa de ser um só. De repente minhas teorias sobre a solidão vão pelo ralo, meu coração quase que de gelo, derrete inteiro, só porque quando você solta uma gargalhada o mundo todo parece uma bola de fogo e o que me resta é a vontade de morar dentro desse calor. Abraço o universo em um só corpo, em braços largos  e em uma bagunça peculiar, que fode sem medo toda a minha estrutura emocional. Eu deixo! E é esse o meu precipício, o meu vício, a minha excitação em escrever todos os dias, sobre você. Talvez ninguém entenda os motivos que me levam a dançar com palavras, mas na minha melodia predileta você sussurra aos meus ouvidos ‘eu volto, morena’ toda as vezes que insiste em ir embora.

Eu te abracei com os olhos, quando te vi a primeira vez. Não era como se eu soubesse que faria um livro sobre você, mas alguma coisa no teu riso se encaixava na minha história. 

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